31 de mar de 2017

Yoga - Quebrando Barreiras (Jessamyn Stanley)

Yoga - Quebrando Barreiras, vai trazer reportagens & imagens do que está fora do padrão midiático dos praticantes e professores de yoga. Aproveite e se desapegue dos antigos conceitos e preconceitos!

Em seu perfil no Instagram, Jessamyn Stanley, 27 anos, se descreve como entusiasta de ioga e "fat femme". Ela tem mais de 500 fotos dela mesma fazendo todos os tipos de posturas de ioga - cachorro olhando para baixo, parada de mãos, alongando as pernas.
Mas está claro que Jessamyn é muito mais do que uma "entusiasta de ioga". Ela é também uma professora de ioga, e as legendas em suas fotos são todas sobre seu amor aos estudantes, além de mensagens inspiradoras. Às vezes é OK desacelerar, ela diz a seus seguidores. Tudo bem também não saber de tudo, mas aprender e "celebrar as pequenas vitórias".

A professora conta que descobriu a ioga através de aulas Bikram em 2011. As aulas ficaram caras, então ela começou a praticar em casa usando fontes como índice de posturas do Yoga Journal. Foi assim que ela se habituou com a plática de Vinyasa.
"Eu acho que a minha transição para diferentes tipos de ioga foi facilitada porque eu já tinha uma forte prática em casa estabelecida", disse ela ao Huffington Post. "É difícil para novos praticantes se aventurarem fora de sua zona de conforto - e é difícil para os praticantes de longa data também!"

Quatro anos depois, ela tem mais de 40 mil seguidores no Instagram. Além de dar aulas, ela está trabalhando duro para ajudar as mulheres a se sentirem confortáveis em seu próprio corpo - não importa a forma ou o tamanho que elas são.
"Eu sempre digo às pessoas (especialmente mulheres) a pararem de mandar energias negativas para dentro de seu corpo e mente", ela disse. "Essa energia negativa é responsável por toda a infelicidade do corpo. A única pessoa no controle de sua experiência de vida é você. Ache o espaço e ame acreditar em si mesmo, apenas por seu próprio bem-estar."

Embora ela esteja em Durham, no estado americano da Carolina do Norte, ela espera dar aulas em todo o mundo. "Eu recebo mensagens de pessoas de vários países que estão sedentos por professores de ioga com quem possam contar, e eu quero alcançar o máximo possível dessas pessoas".

http://www.brasilpost.com.br/2015/06/05/professora-yoga-corpo_n_7519196.html

Ritual do dia - 31 de Março

Yoga Diário

"Quando estamos relaxados no asana, nos movemos para fora mas ao mesmo tempo estamos centrados; a execução é externa, e a penetração, interna. Foi isso que Patanjali quis dizer no segundo sutra sobre o asana, ao afirmar: 'Atinge- se a perfeição quando o esforço para executá-lo se torna sem esforço e o ser infinito interior é alcançado.'" B.K.S. Iyengar

29 de mar de 2017

VÍDEO: O Tesouro de Lilith

A história O Tesouro de Lilith é um convite para falar com as nossas filhas, sobrinhas, netas e amigas, sobre a sexualidade, o prazer e o ciclo menstrual desde a delicadeza, o amor e a confiança. Uma via para que pais, mães, tios, avós e professores criem um vinculo de comunicação e confiança tocando aspetos tão importantes como a menstruação, a sexualidade e o prazer, de uma forma simples e bonita.

O Tesouro de Lilith é um livro para crianças de todas as idades, escrito, ilustrado e auto-publicado em Barcelona em 2012 por Carla Trepat Casanovas e já vendeu mais de 9000 cópias. Atualmente está editado em 6 idiomas. Vem acompanhado de um guia didático escrito por Anna Salvia Ribera, psicóloga especialista em Saúde Sexual, que nos ajudará a transmitir às crianças e adolescentes o valor de uma sexualidade plena e saudável. 
A educação sexual saudável implica aceitar que os meninos e as meninas são seres sexuais, e que a sexualidade é um aspeto positivo da vida humana que não deve ser reprimido, e sim acompanhado para que cada pessoa se possa desenvolver de forma espontânea e segura.
Descobrir o prazer que proporciona o próprio corpo vai unido a permitir-se desfrutar do prazer em todos os âmbitos da vida: prazer em comer algo delicioso, prazer em jogar com os amigos, prazer em divertir-se, em acariciar e ser acariciada...prazer em compartir amor. Ou seja, o prazer em desfrutar de tudo o que nos dá a vida.
Façamos que esta doce caricia chegue aos corações das nossas meninas!
Através das metáforas que constroem as aventuras de Lilith na descoberta do seu corpo e dos seus ciclos; das ilustrações cheias de naturalidade e beleza e do guia incluído no final, este livro vai ajudar-nos a transmitir às meninas (e à nossa própria criança interior) a beleza e o poder da sexualidade feminina para que possam caminhar com confiança.
O Tesouro de Lilith não é apenas uma história para lembrar esta sabedoria interior perdida, é uma revolução ancestral de conexão com a natureza e a essência que habita dentro de todas nós. Uma semente que surgiu para que recuperemos a nossa sabedoria, o nosso poder e, especialmente, a nossa capacidade de intuir, desde bem pequenas.                                      
Teremos alguns dias para recolher os fundos necessários para realizar a edição em PORTUGUÊS. Necessitamos a vossa ajuda! E como mostra de gratidão cada pessoa receberá o livro e outras surpresas (um ou mais, dependendo da aportação de cada benfeitor).
Será o primeiro livro infantil ilustrado sobre sexualidadade em Portugal!
Com a vossa ajuda em fevereio de 2016 já estará nas vossas mãos e a circular pelo país e pelo mundo.
Aqui podem saber mais sobre O Tesouro de Lilith.
Ver comentários ao livro.
UM PROFUNDO OBRIGADO A TODAS E TODOS PELO VOSSO APOIO E CONTRIBUIÇÃO! 
Uma história sobre a sexualidade, o prazer e o ciclo menstrual.

otesourodelilith@gmail.com - www.otesourodelilith.net
Facebook: O tesouro de Lilith

Ajudas-nos com a edição em Português?
Apoia a campaña de crowdfunding!

http://ppl.com.pt/pt/prj/o-tesouro-de...

"Para que as meninas conheçam desde bem pequenas o grande tesouro que são. Para que as raparigas descubram as borboletas que levam dentro.
Para que as mulheres se reconciliem com a sua sexualidade e se apaixonem da grande maravilha que é o ciclo menstrual. Para que todos os meninos, rapazes e homens conheçam e aprendam a acompanhar e a amar a sexualidade feminina.
Bem-vindas a esta apaixonante viagem! " Carla Trepat Casanovas

“Um maravilhoso guia para alcançar a maturidade que toda a menina merece. Engenhoso, poético, belo e gratificante. Um livro que revela temas tabu, realça-os e mostra a sua cara curativa, amorosa e benéfica. O melhor presente que podes oferecer à tua filha para ajudar noprocesso de transformação de uma menina, numa jovem radiante e segura de si mesma.” Diana Fabiánová – Diretora de Monthlies e The moon Inside You

“Este livro é uma história cativante belamente ilustrada acerca do que significa ser mulher, que espero que ensine às futuras gerações de mulheres a maravilha e deleite da sua natureza cíclica e energias femininas.” Miranda Gray – Autora de “Red Moon – Understanding and using the creative, sexual and spiritual gifts of the menstrual cycle”. Criadora da meditação global “The Worldwide Womb Blessing” 

“O Tesouro de Lilith é uma linda ferramenta que facilita às meninas desde bem pequenas, a possibilidade de aprender a amar-se, valorizar-se, cuidar-se e respeitar o seu corpo. Transmite-lhes uma imagem positiva da menstruação, do prazer e da sexualidade, ajudando-as assim a potenciar a sua autoestima.” Maria Rosa Casanovas – Terapeuta, formadora e coordenadora do Programa Alegra (Formação de Educadores em Autoestima e Desenvolvimento Emocional para crianças e adolescentes)

Ritual do dia - 29 de Março

Yoga Diário

"A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente." 
Hermógenes
yoga magazine running on all fours shoulder shoulders

25 de mar de 2017

Sexualidade, parto e poder da mulher | Naolí Vinaver | TEDxParquedasNaçõ...



A parteira Naolí Vinaver fala da energia sexual e do parto como fonte de força e poder da mulher. Naoli tem sido uma admiradora, defensora ativa e promotora do parto natural e instintivo desde pequena. Como parteira, ela já organizou (e ainda organiza) conferências que misturavam culturas diversas e grupos sociais de parteiras tradicionais e profissionais, com o objetivo de manter a dignidade e a sabedoria do parto tradicional, ao mesmo tempo que expandindo o âmbito da prática de todas as parteiras do mundo. Naolí tem três filhos nascidos em casa e dedica a sua vida ao ensino, à criação de materiais artísticos para a promoção do parto natural e para informação às mães e famílias que desejam realizar o parto em casa. Ela já participou de mais de 1400 partos desde 1987. Naoli é mexicana, mas vive no Brasil, onde pratica a profissão e leciona em oficinas relacionadas à obstetrícia e à sexualidade. This talk was given at a TEDx event using the TED conference format but independently organized by a local community. Learn more at http://ted.com/tedx

24 de mar de 2017

Yoga - Quebrando Barreiras (O lado Perigoso do Yoga)

Yoga - Quebrando Barreiras, vai trazer reportagens & imagens do que está fora do padrão midiático dos praticantes e professores de yoga. Aproveite e se desapegue dos antigos conceitos e preconceitos!

Um novo livro gera polêmica ao divulgar que a milenar prática indiana pode causar contusões graves e até danos cerebrais. Quando a ioga pode machucar?

O jornalista americano William Broad, de 60 anos, fez carreira escrevendo sobre armas nucleares e segurança nacional. Depois de 40 anos praticando ioga, resolveu pesquisar sobre a atividade que lhe trouxe benefícios, mas que também se mostrou perigosa – ele levou meses para se recuperar de um mau jeito nas costas causado por uma postura. O resultado da investigação de cinco anos é o livro The science of yoga (A ciência da ioga). A obra foi lançada nos Estados Unidos na semana passada, mas causou polêmica antes mesmo da publicação. O The New York Times (NYT), jornal americano para o qual Broad trabalha, divulgou um trecho que desfaz, segundo o autor, um dos mitos que envolvem a milenar prática indiana: que a ioga é uma atividade segura. No texto, Broad enumera lesões relatadas a ele por instrutores ou documentadas por médicos em estudos. Os prejuízos à saúde vão de dores musculares excruciantes a rompimentos de tendões, de problemas na coluna a lesões cerebrais (com direito a paralisia de parte do corpo). São revelações suficientes para preocupar o mais zen dos iogues, quem dirá nós, simples amadores, que nos equilibramos em poses nas horas vagas.
No livro, Broad conta a história de Glenn Black, um instrutor americano famoso pela moderação e pelos cuidados nos exercícios. Black se diz convencido, depois de uma vida dedicada à ioga, de que a prática não é para todos. “É preciso olhar a ioga de uma perspectiva diferente”, diz Black. Ele passou recentemente por uma cirurgia de cinco horas para fixar vértebras de sua coluna, abalada pela prática.
RIGIDEZ O iogue uruguaio Pedro Kupfer.  O perfeccionismo de um guru indiano deixou uma lesão na coluna de Kupfer que restringe seus movimentos (Foto: Angela Nardi Sundari )
Histórias como a de Black causam surpresa. Desde que se popularizou no Ocidente, a partir da década de 1920, a ioga se firmou pelo democrático potencial reabilitador. Parecia ideal para pessoas com dores crônicas ou que haviam se machucado em outras modalidades esportivas e procuravam uma atividade em que reinasse o bom-senso, em que os excessos e os descuidos de academias de ginástica não tivessem espaço. As revelações de Broad em seu livro – que ele chama de “a primeira avaliação imparcial da ioga feita em milhares de anos” – indicam o contrário. “As evidências científicas sugerem que a ioga pode ser mais perigosa que outros esportes porque as lesões são mais extremas”, afirma Broad. Ele se diz surpreso com a repercussão do artigo no NYT. Adeptos da modalidade deram um tempo na emanação do mantra Om para manifestar revolta. Alunos e associações de professores mandaram cartas aos jornais. Escreveram artigos em comunidades on-line. Acusaram Broad de sensacionalista. “Se há tanto barulho, é porque eles sabem que esses riscos são reais e pouco divulgados”, diz Broad.
Parte da surpresa causada pelo livro vem da percepção equivocada de muitos praticantes sobre como nosso corpo reage a qualquer atividade física. Engana-se quem menospreza a intensidade dos exercícios. “Qualquer atividade pode provocar lesões”, diz o ortopedista Rogerio da Silva, diretor da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte. “Até caminhadas, consideradas leves, podem prejudicar se não forem feitas com tênis adequado e na medida correta para cada pessoa.” A ioga ainda tem um agravante, segundo o ortopedista Selene Parekh, pesquisador da Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ela impinge um desafio físico extra aos ocidentais. “Eles não têm o costume de ficar em posturas que promovem alongamento e flexibilidade, como sentar no chão com as pernas cruzadas”, diz Parekh.
Não há levantamentos com rigor científico que deem ideia do risco de sofrer uma lesão durante a prática de ioga. Um dos poucos de que se têm notícia foi feito em 2009 pela Escola de Médicos e Cirurgiões da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos. Eles perguntaram a instrutores de ioga, médicos e fisioterapeutas quais eram as lesões mais sérias que já tinham visto. Os pesquisadores constataram que a maior parte dos ferimentos se concentrava na região lombar, nos ombros, nos joelhos e no pescoço. Pelo menos quatro entrevistados relataram saber de casos de derrame. “Como há poucos estudos desse tipo, é difícil saber se as lesões da ioga são maiores ou menores, proporcionalmente ao número de praticantes, do que em outros esportes”, diz o ortopedista André Pedrinelli, da Universidade de São Paulo. “Também há vários estilos de ioga, e não se pode generalizar o risco de lesões para todos.” Entre os estilos mais populares, a ashtanga ioga, que prima pela movimentação ininterrupta, é quase uma aula de aeróbica. Também é uma das mais arriscadas para os novatos. As outras modalidades comuns – a iyengar, que usa cordas e outros materiais para facilitar a execução dos exercícios, e a hatha, que privilegia posturas – também não estão isentas de perigo.
mensagem ioga (Foto: reprodução)
No dia a dia dos consultórios, é consenso entre os médicos: existem, sim, lesões decorrentes da prática. “Já atendi pacientes que se machucaram ao fazer ioga, mas a quantidade está longe de ser comparada com a de lesões causadas por outros exercícios, como corrida, ciclismo, natação ou musculação”, diz o ortopedista americano David Geier, porta-voz da Sociedade Americana de Ortopedia para Medicina Esportiva. No Brasil, a situação é semelhante. “Nos últimos três anos, num universo de 3 mil pacientes, atendi menos de nove que se machucaram numa aula de ioga”, diz o ortopedista Rogerio da Silva.
Se os números não são alarmantes, por que falar sobre lesões na ioga causa controvérsia? O assunto toca em dois pontos delicados. O primeiro literalmente sensível: o pescoço. Algumas posturas, como a invertida sobre os ombros, chamada sarvangasana (leia o quadro abaixo), podem comprimir artérias que levam sangue à cabeça, deixando o cérebro sem circulação. Em seu livro, Broad relata um caso de derrame documentado pelo médico americano Willibald Nagler, em 1973. Uma mulher de 28 anos ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado depois de fazer uma postura chamada urdhva dhanurasana. O praticante, de pé, curva o corpo para trás até tocar com as mãos no chão, fazendo uma ponte. Com o alongamento do pescoço, um dos vasos que levam sangue à cabeça da mulher parece ter sido comprimido, privando o cérebro de oxigênio.

Outro caso parecido foi levado para um hospital de Chicago alguns anos depois. Um rapaz de 25 anos perdeu o controle sobre o lado esquerdo do corpo depois de ficar cinco minutos na pose invertida sobre os ombros. Deitado, o iogue apoia as mãos embaixo dos quadris e levanta as pernas, ficando apenas com os ombros, o pescoço e a cabeça como apoio para o peso do corpo. Nesse caso, a circulação do sangue para o cérebro também pode ter sido interrompida. “O risco de diminuição do fluxo de sangue para a cabeça e até de um derrame é real”, afirma o neurologista Renato Anghinah. “Entre as áreas que costumam ser atingidas nesse tipo de lesão está o tronco cerebral, que controla a respiração.” Casos como esses são raros. Mas a divulgação desse tipo de risco – algo que muitos gurus preferem empurrar para debaixo do mat, o tapete usado como base na prática –, pode amedrontar praticantes e futuros adeptos da ioga.
EXCESSO O comerciário paulistano Paulo Tomaselli, de 60 anos.  Ele praticava ioga desde a infância, mas teve de abandoná-la por causa  das lesões   (Foto: Isadora Brant/ÉPOCA )
O segundo motivo que torna o tópico polêmico é deixar em evidência as falhas dos instrutores. Muitas das lesões são causadas por um costume cada vez mais comum nos estúdios e nas academias. Para ajudar o aluno a conseguir realizar a postura com a maior perfeição possível, o professor empurra as costas, puxa pernas, braços e articulações, num zelo que pode ir além dos limites físicos do praticante. “Muitos instrutores estão se tornando fanáticos pela perfeição da postura e acabam forçando o aluno além do que ele pode”, afirma o iogue uruguaio Pedro Kupfer, uma das principais referências da prática na América do Sul. “É o cenário ideal para acontecer uma lesão.” Kupfer é, ele mesmo, vítima da ditadura da exatidão na ioga. Em 2000, durante um retiro num ashram (comunidade religiosa) na Índia, ele sofreu uma lesão na coluna, na altura do cóccix, ao executar uma das posturas mais avançadas da ioga, a chakra bandhasana. Em pé, o iogue se curva para trás até segurar os tornozelos. O guru que comandava a prática resolveu dar uma forcinha. O barulho causado pelo desencaixe das vértebras foi ouvido por quem estava na sala. Kupfer passou meses com crises de dor. O alívio veio com o tempo, sessões de massagem e exercícios para fortalecer os músculos da região, que dão estabilidade à coluna. Mas houve sequelas. Ele convive com uma artrose no cóccix, degeneração das cartilagens e dos ossos que causa dor, e seus movimentos foram limitados. Continua praticando ioga e surfando, suas grandes paixões, mas as posturas que exigem grande flexão lombar foram abolidas de seu repertório.
A transformação da natureza da ioga – encarada hoje mais como um exercício puro do que uma filosofia que busca autoconhecimento – pode estar por trás da prática linha-dura. “A maior parte dos novos instrutores fez ‘cursos’ de alguns meses, nos quais o ensino das posturas é supervalorizado”, afirma a instrutora Camila Ferreira-Vorkapic, que estuda os efeitos psicológicos da prática na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Meias verdades, conhecimento insuficiente e técnicas fora do contexto podem construir uma fórmula tão perigosa quanto um frasco de remédio nas mãos de uma criança.” Ao adotar a exatidão das posturas como meta, muitos instrutores se esquecem de que o corpo de cada aluno é diferente, assim como seu grau de flexibilidade. Por limites físicos – não da mente, como chegam a dizer muitos gurus –, algumas pessoas não conseguem o alinhamento considerado “correto” em determinadas posturas. “Nossa coluna não é igual, assim como nossas articulações e a amplitude de movimentos que elas nos dão”, afirma o instrutor Marcos Rojo, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Numa prática de ioga, a única coisa que tem de ser igual para todos é a sensação de bem-estar.”
 “Muitos instrutores insistem para o aluno fazer a postura do jeito deles. É a receita para uma lesão” Nadine Fawell, professora australiana (Foto: John Lee)
A instrutora australiana Nadine Fawell já teve aulas com um professor que se esqueceu das particularidades anatômicas. Em dezembro, ela estava num retiro na cidade de Ubud, na Indonésia, quando o instrutor parou a aula para corrigir a direção dos quadris de Nadine numa postura. Ela tentou explicar que ele estava lutando contra seus ossos. Não adiantou. O instrutor fez tanta força que Nadine escutou o estalo nas articulações do quadril, seguido por uma onda de dor. O ajuste não causou uma lesão, mas deixou claro para Nadine como os alunos se sentem compelidos a aceitar correções que podem machucar. “O instrutor está numa posição de autoridade”, diz. “Acreditamos que ele quer o melhor para nós, e isso torna quase impossível recusarmos as correções.”
Os alunos também têm sua parcela de culpa. É comum que lesões apareçam quando a vontade de se superar numa aula ou de mostrar melhor desempenho que o vizinho de mat sobrepuja o bom-senso. O comerciário paulistano Paulo Tomaselli, de 60 anos, praticava ioga desde a infância e se orgulhava de sua flexibilidade acima do comum. Até que teve de operar o menisco, cartilagem do joelho direito, aos 28 anos, depois de sofrer lesões numa postura em que unia os dois pés e os levava até a altura do estômago. Quinze anos depois, o joelho esquerdo também começou a doer, sinal do desgaste provocado por anos de exercícios pesados. Tomaselli teve de deixar a ioga de lado pouco a pouco, porque as limitações físicas causadas pelas lesões tornavam as posturas cada vez mais difíceis. Hoje, ele mal consegue sentar na posição de lótus (com as pernas cruzadas), uma das mais básicas. “Da mesma forma que a ioga proporciona coisas boas, como elasticidade e um corpo em forma, ela lhe dá os mesmos 100% em machucados e lesões”, diz Tomaselli. “É preciso ter consciência para não fazer a escolha errada."
Posições da ioga (Foto: Ilustrações: Rodrigo Fortes)


http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/02/o-lado-perigoso-da-ioga.html

Yoga Diário

"Um corpo relaxado e calmo é um convite a paz mental."
Paramahansa Yogananda
yoga magazine pose running on all fours shoulder

23 de mar de 2017

A LUA E A MENSTRUAÇÃO

A LUA E A MENSTRUAÇÃO 

Rosane Volpatto 
A cada 28 dias a Lua completa seu ciclo de crescente a minguante. A Lua Nova marca a primeira iluminação e um fiapo fica visível no céu noturno. A Lua então cresce até o primeiro quarto, quando se pode visualizar a metade de seu disco. Continua a crescer e completa-se até atingir a Lua Cheia. Neste ponto, começa a diminuir de tamanho até o terceiro quarto, quando novamente só se vê a metade do disco e continua assim até que não se veja mais seu disco. Em quinta fase, esta Lua Escura dura três noites e esta, é este é o mais poderoso de todos os ciclos da Lua. 

A Lua, com seu ciclo de nascimento, crescimento e morte, é um lembrete poderoso, todos os meses, da natureza dos ciclos. Em épocas remotas, os ciclos menstruais das mulheres eram perfeitamente alinhados com os da Lua. A mulher ovulava na Lua Cheia e menstruava na Lua Escura. A Lua Cheia era o ápice do ciclo da criação, era quando o óvulo era liberado. Nos 14 dias que antecedem esta liberação, as energias da criação reúnem tudo que é necessário para constituir o óvulo. Quando passava a Lua Cheia e o óvulo não era fertilizado, tornava-se maduro demais e se decompunha, derramando-se no fluxo natural de sangue na Lua Escura. Quando a mulher vive em perfeita harmonia com a Terra, ela só sangra os três dias da Lua Escura. Quando a Lua Nova emerge, seu fluxo naturalmente deve cessar e o ciclo da criação é reiniciado dentro dela. 

Em nossa sociedade atual, o uso de pílulas anticoncepcionais, fez com que a mulher deixasse de incorporar e compreender este ciclo de criação e destruição dentro de si. 

Alguns índios norte-americanos, consideravam a Lua uma mulher, a primeira Mulher e, no seu quarto minguante ela ficava "doente", palavra que definiam como menstruação. Camponeses europeus acreditavam que a Lua menstruava e que estava "adoentada" no período minguante, sendo que a chuva vermelha que o folclore afirma cair do céu era o "sangue da Lua". 

Em várias línguas as palavras menstruação e Lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa "mudança da Lua" e "mens" é Lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de "a Lua". Na França é chamado de "le moment de la luna". 

Entre muitos povos em todas as partes do mundo as mulheres eram consideradas "tabu" durante o período da menstruação. Este período para algumas tribos indígenas era considerado um estado tão peculiar que a mulher deveria recolher-se à uma "tenda menstrual" escura, pois a luz da Lua não deveria bater sobre ela. O isolamento mensal da mulher, tinha o mesmo significado que os ritos de puberdade dos homens. Durante este curto espaço de tempo de solidão forçada, as mulheres mantinham um contato mais íntimo com as forças instintivas dentro de si. 

Em tribos mais primitivas, nenhum homem podia se aproximar de uma mulher menstruada, pois até sua sombra era poluidora. O sangue menstrual, nesta época, era tido como contaminador. Acreditavam também, que a mulher menstruada tinha um efeito poluente sobre o fogo e se por algum motivo se aproximasse dele, esse se extinguiria. Ainda, de acordo com o Talmude, se uma mulher no início da menstruação passasse por dois homens, certamente um deles morreria. Se estivesse no término de seu período, provavelmente causaria uma violenta discussão entre eles. 

Por vários motivos as mulheres acabaram impondo à si mesmas uma abstinência, muito embora, tanto nelas como nos animais, o período de maior desejo sexual é imediatamente anterior ou posterior a menstruação. 

Na Índia, acredita-se ainda hoje, que a Deusa-Mãe menstrua. Durante essa época, as estátuas da deusa são afastadas e panos manchados de sangue são considerados como "remédio" para a maior parte das doenças. Na Babilônia, pensava-se que Istar, a Deusa Lua, menstruava na época da Lua Cheia, quando o "sabattu" de Istar, ou dia do mal, era observado. A palavra "sabattu" vem de sabat e significa o descanso do coração. É o dia de descanso que a Lua tem quando está cheia. Este dia é um percursor direto do sabá e considerava-se desfavorável qualquer trabalho, comer comida cozida ou viajar. Essas eram as coisas proibidas para a mulher menstruada. O sabá era primeiramente observado somente uma vez por mês e depois passou a ser observado em cada uma das fases da Lua. 

Hoje, uma compreensão científica e objetiva já nos livrou de todos estes tabus, mas é bom lembrar que em certo momento histórico, inconscientemente, a natureza instintiva feminina podia provocar a anulação dos homens. 


Bibliografia consultada: 
O Casamento do Sol com a Lua. Raissa Cavalcanti. Editora Cultrix, São Paulo. 
A Grande Mãe. Erich Neumann. Editora Cultrix, São Paulo. 
As Deusas e a Mulher. Jean Shinoda Bolen. Editora Paulus, São Paulo. 
Os Mistérios da Mulher. M. Esther Harding. Editora Paulus, São Paulo. 
O Novo Despertar da Deusa. Organização Shirley Nicholson. Editora Rocco Ltda, Rio de Janeiro 
Variações sobre o tema mulher. Jette Bonaventure. Editora Paulus, São Paulo. 

Soundcloud - Personare


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